Reportagem: Tiago Rafael
Foto: Aline Fernandes
Tempo, pesquisa e paciência são fatores fundamentais para alcançar as metas profissionais num mundo cada vez mais competitivo
O mundo moderno está cada vez mais competitivo na área dos negócios. Por inúmeras variáveis, a cada ano diminuem os dados de profissionais com carteira assinada e aumenta o número de trabalhadores liberais. Nessa estatística, muitos são os jovens empreendedores que encontram, em seu próprio negócio, alternativas para materializar seus sonhos. Entre eles, o de conquistar o primeiro milhão antes dos 30 anos.
Especialistas na área de economia revelam que, para uma pessoa ser considerada milionária, deve possuir uma poupança superior a US$ 1 milhão. Apesar da acirrada disputa no mundo dos negócios, ainda existem vagas para novos milionários. De acordo com dados divulgados pela edição número 2.044 da revista Veja, o capitalismo brasileiro abarca cerca de 164 milionários por dia, o equivalente a 100 brasileiros a cada 100 mil.
Dados divulgados, em 2008, pelo Boston Consulting Group (BCG) apontaram que o Brasil possuía aproximadamente 250 mil milionários. Na época, a economia desse grupo estava avaliada em quase US$ 670 bilhões, o que significa metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. E para quem pensa que o país está atrasado em relação às grandes potências mundiais, ledo engano. Segundo investigações feitas pelo grupo, a economia da população com mais de US$ 1 milhão é a segunda que se multiplica mais rápido em todo mundo, com um aumento de 22,4% ao ano. O BCG aponta que o Brasil só perde para a China, que possui rendimento anual de 23,4%.
No cenário favorável da economia brasileira em que, a cada ano as estatísticas de novos milionários estimam aumentar, os jovens na faixa etária dos 20 aos 30 anos não querem ficar de fora dos números. No empreendedorismo eles enxergam a possibilidade para ingressar ao seleto grupo econômico.
Para o gerente da Regional Norte do Serviço de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (Sebrae), Heverson Feliciano, cada vez mais cedo as pessoas começam a empreender uma atividade. "Muitas pessoas fazem uma faculdade, se formam e buscam um emprego formal. Não tem nada de mais neste processo. Só que cada vez mais a gente percebe que o jovem universitário coloca a questão de montar uma empresa e começar o próprio negócio como uma das principais alternativas", avalia.
No passado, o contexto econômico não era favorável ao jovem. Hoje, a grande quantidade de cursos e a facilidade de crédito ao universitário são alguns dos benefícios que estimulam o espírito empreendedor. "Na minha época, há uns 20 anos, a gente não pensava na possibilidade de ser dono do próprio negócio. Imagino que a geração atual já analisa essa alternativa. O período universitário é o melhor momento para você pesquisar, avaliar e identificar uma boa oportunidade, porque você tem o tempo ao seu favor", alerta Feliciano.
Uma das vantagens que os jovens empreendedores têm em relação aos investidores mais experientes é a possibilidade de errar. Inúmeras variáveis interagem com os negócios. Entre elas, a maioria dos aspirantes no mercado não tem as responsabilidades de administrar as finanças de um lar. "O tempo de maturação de um negócio não é rápido. Demora um, dois ou mais anos. Isso é natural. Então, nessa fase da vida em que você estuda é um bom momento para empreender uma atividade", ressalta o gerente do Sebrae.
Para que um bom empreendedor consiga sucesso profissional, é necessário que planeje, assuma riscos calculados e monte uma boa rede de relacionamentos. Ao contrário do que muitos pensam, é possível adquirir essas habilidades através de cursos e nas entidades de ensino superior. "O que a gente precisa entender é que o empreendedor não é uma pessoa que nasce feita. Existem pessoas com características mais voltadas para os negócios, é natural. Mas isso pode ser formado ao longo do tempo", analisa.
Para muitos, principalmente os jovens, os resultados materiais são os principais estímulos para investir em uma carreira profissional. Porém, nem todos alcançam suas metas. "Acho que colocar como objetivo conquistar o primeiro milhão aos 30 anos pode ser algo estimulante ou não. Existe um ditado que fala 'se você correr atrás do dinheiro, ele corre de você'. Nós temos que fazer o que é prazeroso e que proporciona realização pessoal. Assim, você vai empreender e ganhar dinheiro", afirma o especialista.
Na avaliação do gerente, a falta de experiência pode atrapalhar na hora de empreender uma atividade. "Talvez uma pessoa seja um bom marceneiro, mas não saiba montar a gestão de uma empresa de móveis. Para um jovem, é mais difícil, porque ele não tem o conhecimento técnico e nem o de gestão. Quem tem conhecimento vai para frente. Hoje o acesso à informação é muito grande. Contadores, associações comerciais, sindicatos e universidades suprem a falta de conhecimento. Na própria internet existe uma quantidade de conhecimento público que não havia na minha época."
Um jovem empreendedor
Para o empresário Rafael Riccerlin, de 28 anos, o mundo dos negócios não foi fácil. Formado em Psicologia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), ele usa todo o conhecimento de gestão adquirido na academia para administrar a empresa da família voltada para o ramo da confecção de vestidos de noivas.
Há três anos, Riccerlin está à frente da empresa Lucilene Mattos. De acordo com o jovem, para ser o líder de um negócio é necessário tomar decisões pautadas na seriedade. "Para enfrentar as dificuldades do dia-a-dia de um empreendimento é preciso sentar, fazer uma reunião, discutir com os colaboradores, buscar informação. Nesse processo você vai inovando e empreendendo, revigorando o seu negócio", conta.
Hoje é comum ver jovens no comando de empreendimentos. Um dos motivos é não querer se submeter ao salário do trabalho com carteira assinada e as regras ditadas pelos patrões. "Eu sempre quis implantar as minhas idéias. Nada mais fácil que você introduzir as suas aspirações num empreendimento próprio. Eu sempre achei muito gratificante ser meu próprio chefe e ter 100% do meu trabalho voltado para mim", revela Riccelin.
Além da falta de experiência, o gestor da empresa de confecção afirma que muitos jovens desistem da idéia do milhão por não conseguir driblar as dificuldades financeiras do início da carreira. Muitos querem resultados instantâneos. "Quando jovem, queremos o resultado em curto prazo, mas não são imediatos, exceto em raros casos. Em geral, é um trabalho de longa estrada, que você vai colher ao decorrer da vida."
Sempre estar pronto para mudanças e explorar novos horizontes são características de um bom empreendedor. Permanecer atento para as necessidades do mercado é característica marcante na vida comercial de Riccerlin. Ele agora se prepara para explorar novos mercados: a construção civil.
Empolgado pelo fato do irmão ser engenheiro, o jovem empreendedor irá começar mais uma etapa profissional. "Acho que o empreendedor não deve se limitar. A hora em que a oportunidade surgir, ele deve ir atrás. Não pode ter medo nem perder tempo. É evidente que se deve entrar consciente, correr o risco para buscar novos rumos e diversificar para poder aumentar o retorno financeiro."


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