Crianças correm riscos até dentro de casa

Postado por Tiago Rafael de Jesus On 20:32



De acordo com especialistas, qualquer lesão que a criança venha sofrer de origem química, térmica, mecânica ou elétrica no território residencial, é considerado acidente doméstico. Pais e familiares devem ficar atentos aos perigos dentro da própria casa.

Reportagem: Letícia Verza e Tiago Rafael

Para parte da população a infância é uma etapa marcada por boas lembranças. Quando pequenos, a grande expectativa dos atuais adultos era a chegada das férias. Muitos aproveitavam a ocasião para fazer uma visitinha até a casa da vovó onde podia se divertir com travessuras e brincadeiras de ruas. Não é apenas de felicidade que gira o universo das crianças. Basta apenas um descuido do adulto responsável para que a euforia dos baixinhos resulte em transtorno.

Grande parte das travessuras feitas na infância pode deixar marcas para sempre. Prova disso foi a situação vivenciada pela vendedora Natiellen Batista Fernandes. "Quando eu tinha uns 10 anos, queimei meu braço no fogão e até hoje tenho a cicatriz", relatou.

Parece que o dom da sapecagem é passado de pais para filhos. Natielelen contou que sua filha não nega a origem e ainda apronta suas artes. "Esses dias, a minha filha queimou o pé na máquina de afiação e a mão na chapinha de cabelo. Uma vez ela também estava brincando com uma pulseira, que arrebentou e colocou as bolinhas no nariz”, lembrou a vendedora.

A comerciante Débora Michele Pojato disse que já passou por situações delicadas com o filho Adriel. "Quando ele era mais novo, ele mexeu em uma garrafa, que tinha veneno para matar mato e passou o líquido no rosto e nos olhos. Meu marido ficou desesperado, deu banho no meu filho, mas graças a Deus, o produto não causou nenhum problema sério para ele", contou.

Débora afirmou que os pais devem estar atentos com os brinquedos infantis, principalmente, com a motoca que provoca muitas quedas. Para evitar acidentes domésticos, ela afirmou que tem o hábito de guardar os produtos de limpeza e objetos como panelas, garfos e facas, em um local alto, onde o filho dela não alcance. "Adriel nunca fica sozinho dentro de casa, não deixo água fervendo na beira do fogão e não coloco os cabos das panelas virados para fora." De acordo com a vendedora, os pais são os principais responsáveis no cuidado com as crianças. "Eles dependem muito de nós porque eles não têm a noção de perigo", explicou.

A infância da estudante Thiara Aline Ferreira não foi diferente. Ela lembrou que na fase de travessuras, alguns incidentes aconteceram. "Quando eu era pequena, subi em um muro, para roubar a uva do vizinho. Meu plano não deu certo. Enrosquei no arame farpado, cai e com isso tive que dar uns três pontos na perna. Outra vez, quebrei o braço, porque havia caído do beliche". Thiara afirmou que para prevenir os acidentes, os pais devem ter um cuidado redobrado, quando as crianças estão em casa. "Quando eu tiver meus filhos, pretendo ficar 24 horas de olho neles, mesmo quando estiverem dormindo", relatou.

HU registra 50 casos de incidente com criança


De acordo com o cirurgião pediatra do Hospital Universitário (HU) Lúcio Marquese, o HU registra mais de 50 casos de incidentes com crianças por mês. As ocorrências são dos mais variados gêneros como com produtos químicos, térmicos, mecânicos ou elétricos.

O acidente doméstico mais comum envolvendo crianças é proveniente das quedas. "A criança quando começa a andar cai, bate a cabeça ou outra parte do corpo e assim, pode sofrer ferimentos de vários tipos, geralmente na região da face", completou Marquese.

O cirurgião pediatra afirmou que outra causa que gera grandes números de atendimentos no HU são os acidentes por queimaduras. "A cozinha é um local que oferece riscos para os pequenos e acidentes envolvendo crianças mais velhas são conseqüências de brincadeiras com álcool."

De acordo com Marquese, fatos como aspirações de objetos podem representar óbito se a vítima não for atendida rapidamente. Com muita experiência no atendimento hospitalar, ele afirmou ter presenciado cenas inusitadas. "Uma vez, a criança ingeriu um brinco com pingente pontiagudo que ficou espetado no esôfago. Esse corpo estranho não saía em hipótese alguma e a família não trouxe para o hospital. Quando chegou aqui, a criança já estava com hemorragia e corria sério risco."

Estar diante de pessoas feridas e precisando de ajuda não é uma tarefa fácil. Agir por extinto e tentar socorrer a vítima sem o devido preparo pode agravar o quadro. "Uma paciente tinha aspirado um corpo estranho, a mãe na tentativa de retirar o objeto, causou uma lesão na laringe da criança. Então, ajudar implica em procedimentos que não devem ser feitos sem conhecimento. Em caso de escoriações leves é possível fazer os primeiros socorros já em outros mais complexos, apenas o médico é a pessoa indicada", alertou Marquese.

De acordo com o cirurgião, o método mais seguro para que a lesão do paciente não se agrave é encaminhá-lo imediatamente ao hospital. Se não houver um local próximo onde pode ser prestado o atendimento, é recomendado que se tenha alguns cuidados com o ferido. "Se for um corte que tiver sangramento ou qualquer tipo de lesão externa, deve-se levar a pessoa imediatamente para o hospital porque podem existir hemorragias", advertiu.

Ele ressaltou que o primeiro socorro pode ser feito com uma compressa de gaze limpa. De acordo com Marquese, queimaduras de um modo geral devem ser cobertas com uma roupa limpa, lavar com água fria e também levar imediatamente para o atendimento.

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